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quarta-feira, agosto 23, 2006

PERSPECTIVA HISTÓRICA



O Noroeste Ibérico na Época Medieval

409 - 585: Os Suevos no noroeste da Ibéria

Na região entre o Havel e o Spree (actualmente a região de Berlim) existia uma confederação de tribos denominadas Suevos. Estes povos adoravam uma divindade comum, o deus Ziu. Deslocando-se lentamente para regiões mais meridionais, ocuparam sucessivamente a Saxónia, a Turíngia e a Baviera. No século I AC houve uma cisão da confederação, formando os seguintes grupos:

Hermúnduros
Marcomanos
Quados
Vangiones
Neméteros
Tribocos

Os Quados, instalados na Boémia e Morávia actuais, moveram-se para sul invadindo a Península Ibérica, juntamente com alguns Marcomanos. Nestas vagas invasoras, foram acompanhados pelos Vândalos Silingos, pelos Vândalos Asdingos e pelos Alanos. Após desvastações causadas durante cerca de dez anos aceitaram a proposta romana de um pacto de federação, ficando a península repartida entre eles.

Os Silingos ficaram na Bética. os Alanos na Lusitânia e na Cartaginense Ocidental, os Suevos e os Asdingos na Galécia, a Tarraconense conservou-se nas mãos do Império Romano.
As estimativas mais optimistas quanto ao número dos invasores suevos apontam para 30.000 pessoas. Estes implantaram-se preferencialmente nas zonas de Braga, Porto, Lugo e Astorga. Na região do Porto, segundo Idício, cronista cristão do séc. V, estabeleceram-se em duas povoações; Portucale Castrum (Gaia) e Portucale Locum (Porto).

Em 438 o rei Suevo Hernenarico ratifica a paz com os povos Galaicos e, cansado por uma vida de lutas, ele que já comandava os Suevos quando estes entraram na península Ibérica, abdicou em favor de seu filho Réquita.
Em 448 Réquita morre deixando um estado em expansão a seu filho Requiário que, sendo católico, vai impor este credo à população sueva. A população urbana da Galécia era já predominantemente católica. A cidade de Braga como capital do reino Suevo e sede episcopal ganha grande importância, a qual ainda hoje é visível no caracter metropolita da sua Sé, primaz entre as dioceses do Noroeste peninsular.
em 456 Requiário é morto e vários pretendentes aparecem, agrupados em duas facções. Nota-se uma divisão marcada pelo rio Minho, provavelmente um reflexo das duas tribos, Quados e Marcomanos, que constituiam a nação sueva na península.
Em 585 os Visigodos destroçam os seus adversários Suevos, capturando o rei Andeca. A Galécia passa a ser uma província Visigoda, mas provavelmante com um certo grau de autonomia.

740 - 1037: Das Astúrias à Galiza e Portucale

Dá-se a invasão muçulmana. O soberano visigodo Roderico, que tinha subido ao trono em 710, foi derrotado na batalha de Guadalete ocorrida a 19 de Julho de 711. As crónicas muçulmanas dão Roderico como morto em combate, mas a tradição cristã é a de que se foi refugiar nas serras da Lusitânia, mais precisamente na região de Viseu.
Toledo, sede da administração real e religiosa visigoda, rendeu-se em Novembro de 711 após um simulacro de resistência. Os seus notáveis fogem precipitadamente para norte. No ano de 714 é operada a conquista da Lusitânia Central e Setentrional, seguida pela tomada de Viseu, Portucale, Bracara, Tui e Lugo.
Para norte dos Pirinéus as invasões muçulmanas são travadas por Carlos Martel, rei dos Francos, na batalha de Poitiers (732).

A Reconquista, a partir das Astúrias, começa por ser um movimento regional não exclusivamente godo. Pelaio, filho de Favila rei dos Godos, tinha governado a Galécia no reinado de Égica, recebendo assim preparação para a vida militar. Não tendo sido tentado a depor as armas perante as hordas muçulmanas torna-se no chefe da resistência. Em 722 trava o encontro de Covadonga que foi um sinal decisivo na determinação de combater os invasores, apesar do insucesso em que resultou para as forças cristãs.
Fixado em Cangas de Oñis, Pelaio lança os fundamentos de um pequeno estado. Seu genro, Afonso I «O Católico», duque da Cantábria, que reina de 739 a 757, alarga as fronteiras da reconquista até ao rio Douro logo no 2º ano do seu reinado. As terras da Galiza e do futuro Condado Portucalense ficam-lhe sujeitas. A acção desenvolvida por Afonso I contribuiu de forma notável para que não se verifica-se a fixação do invasor muçulmano na velha Galécia, libertando-a da islamização.
Os sucessores de Afonso I limitaram-se a manter a defensiva através da resistência e do ermamento das zonas de fronteira. Sob a invocação de Sant'Iago, Ramiro I (842-850) reinicia a reconquista. Afonso III (866-909) fomenta a ocupação e reconstrução dos territórios. É então atribuído ao conde Vímara Peres a administração de Portucale. Nesta altura é conquistada a zona de Emínio, à qual é aplicado o antigo costume do ermamento.
Em 909 Afonso III é obrigado, pelos seus filhos, a abdicar, dividindo entre estes o reino.
Garcia fica com LeãoOrdonho com a Galiza e a terra PortucalenseFruela com o senhorio das AstúriasAparece assim pela 1ª vez o título de rei de Leáo. Alguns anos mais tarde Ordonho consegue reagrupar as terras partilhadas e passa a reinar como Ordonho II, usando a designação de Rei de Leão.

Após a morte de Ramiro II (951), filho de Ordonho II, ascende a um lugar destacado na terra Portucalense a condessa Mumadona Dias, já viúva. Esta apoia Ordonho IV «O Mau» contra Sancho I «O Gordo». Surgem aqui dois grupos. Um deles com Guimarães como origem e o outro, afecto a Sancho I, congrega os barões galegos de Límia. Esta é a primeira contenda entre os barões portucalenses e os barões galegos, cujo dirimir só se viria a verificar na batalha de São Mamede (1128). Esta Mumadona Dias foi a mulher mais rica do seu tempo, acumulou riqueza e soube repartir os seus bens.
Após a morte de Sancho I, sucedeu-lhe o filho Ramiro III, ainda menor. Este contou com a oposição do primo, Bermudo Ordonhes, filho de Ordonho III. Com a morte de Ramiro III, em 984, este ascende ao trono com o nome de Bermudo II. Morre em 999 deixando o reino ao filho menor, Afonso V, sob a tutela do conde Mendo Gonçalves, neto da condessa Mumadona Dias.
A Afonso V sucede-lhe o filho Bermudo III, sob tutela de Navarra.
Morrendo o conde de Castela, Garcia Sanches, a herança cai sobre D. Maior Sanches, casada com Sancho III de Navarra. Designa-se então como herdeiro do condado de Castela o infante D. Fernando, que casou com Sancha, irmã de Bermudo III de Leão. Em 1037 morria Bermudo III na batalha de Tamarón, deixando o reino a sua irmã Sancha. Terminava assim a dinastia dos reis asturianos. Cabia a herança do trono a um rei navarro, que abriu Leão e Castela à cultura do norte da Europa.

1037 - 1112: Os Franceses e o Conde D. Henrique de Borgonha

Após a morte de Fernando «O Magno», em 1065, os seus estados foram divididos pelos seus três filhos.
Sancho ficou a reinar em Castela, Afonso ficou a reinar em Leão, Garcia ficou a reinar na Galiza, juntamente com a terra Portucalense.
O Conde Portucalense Nuno Mendes encabeça em 1071 uma revolta contra o rei Garcia. Tentava-se assim, a independência da terra Portucalense. O rei Garcia determinado a dominar a revolta encontra-se com as hostes do conde em Pedroso, localidade situada a norte de Braga, entre a cidade e o rio Cávado. O conde Nuno Mendes é derrotado, tornando-se no último conde da nobreza regional a governar Portucale.
Os reinos de Leão e Castela são mais uma vez unidos, sob a coroa de Afonso VI, o qual prendendo o seu irmão Garcia, obtem também o controlo da Galiza. A vitória dos almorávidas sobre Afonso VI, na batalha de Zalaca, marca uma importante mudança da relação de forças na península. Esta derrota não atingiu apenas o ânimo dos cristãos peninsulares, mas também os meios nobres e eclésiasticos de além Pirinéus. Afonso VI era casado com D. Constança de Borgonha, filha do duque Roberto I. Este ducado e outros da França do sul apressaram-se a enviar reforços militares.
De Borgonha vem em 1092 D. Raimundo, filho segundo de Guilherme I «O Grande», conde de Borgonha. A ele é atribuído o governo de toda a Galiza, cujo poder se encontrava vago pela morte recente do rei Garcia. Casou com a filha legítima de Afonso VI, D. Urraca. Mais tarde, e talvez atraído pelo sucesso do seu primo, vem para a península D. Henrique de Borgonha, da família ducal. Afonso VI casa-o com a sua filha ilegítima D. Teresa e atribui-lhe o governo do condado Portucalense, incluíndo a zona de Emínio (Coimbra). Após a morte de D. Henrique, em 1112, fica D. Teresa a governar o condado, pois achava que este lhe pertencia por direito, mais do que a outrém, já que lhe tinha sido dado por seu pai na altura do casamento. Associou ao governo o conde galego Bermudo Peres de Trava e o seu irmão Fernão Peres de Trava.
Terá até talvez casado em segundas núpcias com Bermudo, do qual terá tido uma filha.
A crescente influência dos condes galegos no governo do condado Portucalense levou à revolta verificada em 1128, portagonizada pela grande maioria dos infanções do Entre Douro e Minho. Estes escolheram para seu caudilho, D. Afonso Henriques, filho de D. Henrique e de D. Teresa.

1128: Os Nobres da Fundação e a Batalha de São Mamede

Lista dos pricipais fidalgos que participaram na batalha de São Mamede ao lado de D. Afonso Henriques na qual destaco a figura de " O Lidador" *

Soeiro Mendes de Sousa «O Grosso» (1121-1137)
Gonçalo Mendes de Sousa «Sousão» (1154-1167)
Egas Moniz de Ribadouro «O Aio» (1108-1146)
Ermígio Moniz de Ribadouro (1128-1135)
Gonçalo Mendes da Maia «O Lidador» *
D. Paio Soares da Maia «Arcebispo de Braga»
Sancho Nunes de Barbosa (1114-1169)
Afonso Nunes de Barbosa (1131)
Fernão Captivo «Alféres-Mor»
Egas Moniz de Cresconhe
Paio Mendes
Paio Ramires Ramirão
Nuno Soares Velho (1117-1162)
Godinho Fafes de Lanhoso
Garcia Soares

Na batalha de São Mamede defrontam-se os exércitos do conde Fernão Peres de Trava e o dos barões portucalenses. Estes últimos quando venceram Fernão Peres pretendiam apenas obriga-lo a ceder o governo do condado portucalense ao príncipe herdeiro.
A intervenção dos barões portucalenses, liderada pelos senhores de Sousa e de Ribadouro, resultava de um longo percurso, ao longo do qual as linhagens de Entre Douro e Minho tinham solidificado o poder que exerciam na região. Pretendiam, como desde o tempo da condessa Mumadona Dias ocupar um lugar que não estivesse subordinado a ninguém, a não ser uma autoridade local em serviço dos seus interesses. O jovem herdeiro do condado servia exactamente a essa pretensão. Após a vitória Afonso Henriques tomou a autoridade com todo o vigor.
Afonso VII de Leão, ocupado com as vicissitudes da política leonesa, não atribui importância a esta mudança de poder no condado, e limita-se a aceitar o preito de fidelidade de D. Afonso Henriques em 1137. Porque isso contribuia para engrandecer o prestígio do imperador Afonso VII, a chancelaria leonesa não hesita em atribuir o título de rei ao príncipe portugues. Podia assim Afonso VII afirmar a sua condição de imperador, o qual tem reis por vassalos.
Em 1143 o rei de Portugal dirige-se ao Papa, numa carta, declarando que faz homenagem à Sé Apostólica como miles de São Pedro, obrigando-se a pagar o censo anual de quatro onças de ouro, sob a condição de o Papa defender a honra e a dignidade dele e da sua «terra». Declarou ainda que não reconhecia a autoridade de nenhum outro poder eclesiástico ou secular. Com esta carta D. Afonso Henriques oficializava a independência de Portugal Não se conhece nenhuma reacção do imperador Afonso VII até 1148. Quer desconhece-se a vassalagem à Santa Sé, quer não acreditasse nas suas consequências práticas, não parece ter-se incomodado com ela. Apenas quando D. Afonso Henriques, após a conquista de Lisboa, procede à restauração das sés de Lisboa, Viseu e Lamego, sagradas pelos arcebispo de Braga, o imperador se deu conta de que o acto tinha consequências graves. No entanto demasiado ocupado com a reconquista e com a evolução das suas relações com os reinos de Navarra e Aragão, não parece ter procurado recuperar a autoridade sobre Portugal.